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08/07/2004 17:45
[COSMOS: Ego Cêntrico]
Minha mente corre a mil por hora. Eu não queria estar aqui... sedado! Que desmontem os meus pedaços e cruzem um a um pelo rio! EU não me importo, mas PRECISO sair daqui, por melhor que seja.
Irônico, huh?
Eu quero me arremessar em prazeres e aventuras incríveis, abraçando o desconhecido e gargalhando com os melhores momentos de pura alegria... ou pelo menos é como eu imagino que será, mas sempre estou errado. Ansiedade e expectativa podem se tornar facilmente um rolo compressor quando se mostram como realmente são.
Irônico, né?
Talvez num outro mundo as coisas andassem junto, mas no nosso, trabalho e prazer são diferentes. Isso gera muitos problemas, como ganância e ambição destrutiva. Vejo as pessoas destruirem a si mesmas para atingir patamares mais altos... e como se destroem!
Vejo riqueza física e riqueza abstrata, mas elas nunca andam juntas. Quem é rico quer ser feliz mas está mortalmente entediado. Eles não abrem mão do que tem para quem não tem tanto. Se o fizessem, ganhariam mais amigos, mas só enxergam o que vão perder.
Já os que são felizes normalmente não tem tanto, mas não conseguem ver o que realmente tem. Faz sentido: mais pobre, igual a menos educação, portanto menos capacidade de abstração. Assim, não percebem o que tem, e não se divide o que não se tem, certo?
É como se ambos os lados fossem cegos... mas existem outros lados... os não tão ricos, os não tão solitários, os que não estão nem aí, os que tem um pouco de tudo (mas não o suficiente para a satisfação da gulosa natureza humana).
Perdi meu ponto, mas me sinto mais calmo.
Teoria da relatividade. Somos governados por ela mais do que fisicamente. Imagine um grão de areia na praia. Bilhões de micróbios estão lá. Toda vez que vem uma onda, eles são trocados. Será que para eles o tempo entre uma onda e outra é o equivalente a um milhão dos nossos anos? Se fosse assim, um grão de areia seria como a Terra, e o espaço entre uma onda e outra seria o equivalente à expansão e retração do universo... do começo ao fim de tudo, se preferir... ou seja, quem garante que também não somos tão insignificantes do universo? O mais provável é que realmente somos coisa alguma no todo... afinal, mesmo que arrebentemos a Terra, o Universo vai ignorar nosso esforço, pois ela também é irrisória.
Por isso a Teoria da Relatividade é importante: se você não colocar um referencial, não tem como se achar no infinito. Por exemplo, um referencial interessante é a Terra... é tão forte que existem movimentos entre nós de salvá-la. Outro mais interessante (para mim), sou eu. Quando eu declaro que o referencial sou eu, eu garanto que o que me importa, minha missão, meu destino, minha vida, etc, sou eu. Todos fazemos isso... o que te importa é você! Importa como sua mãe cuidou de você, como seu amiguinho de colégio brincou com você, como sua namorada(o) beijou você, como é limpo o mundo que você anda, a quanto andas a sua conta bancária, se o filho que você tanto ensina está aprendendo o que você acha certo.
Seu referencial é você!
E assim, os humanos olham para sua missão divina de como serem melhores e acumulam sua riqueza (física ou abstrata) sem dividí-la. Dividir não passa de um plano de tentar laçar mais amigos, bens, etc... como quem joga uma rede num lago e a puxa de volta cheia de peixes... para si... ou para vender e ganhar dinheiro para si... ou para deixar sua família feliz com o dinheiro, e assim, gerar um ambiente que vive que é feliz para si.
Num outro mundo existiriam todos nossos sonhos. No nosso, nos perdemos em busca de um sentido utópico... amor, fé, ecologia, paz, dominação, etc... cada um com o seu, mas nunca alcançado.
Continuamos sonhando de forma egoísta, mas bela... é melhor do que ser um micróbio intergalático.
enviada por NoMAD
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