Dreamscape













20/10/2004 17:00
[FÁBULA] Nos tornamos frios

Era uma vez um garoto que se achava bonzinho. Ele achava que fazia tudo certo, que era gentil, atencioso, carinhoso, inocente, etc. Ou seja, ele achava que era tudo o que qualquer mãe adoraria ter como filho, e portanto, bonzinho.

Essa ilusão cresceu junto com ele. A idéia de bonzinho começou a abranger mais pessoas e alterar sua percepção do universo. Ele era tão especial que qualquer um iria adorá-lo ter por perto, que as garotas veriam nele o príncipe encantado das suas vidas, e que todos disputariam seu talento profissional em qualquer área que ele escolhesse para si.

Obviamente, ele nada mais era do que um garoto tímido mas mimado que cresceu e se esborachou de frente com a realidade. O primeiro pensamento era de que o mundo estava errado, de que ele havia sido injustiçado, etc. O segundo pensamento foi de se adaptar para fazer parte desse mundo (nem sempre as pessoas optam pelo "antes só do que mal acompanhado"), e começou a se entregar ao ódio, preconceito, vício, promiscuidade, ganância, intolerância, etc.

Agora ele era um homem crescido mesquinho e superficial. Sua própria pele possuia bolhas e sinais que apenas demonstravam que ele era um vulcão perigoso destruindo tudo ao seu redor. Entretanto, nada mais o afetava. Ele era um cubo de aço... vazio, mas impenetrável.

Um dia, num parque, ele olhou ao seu redor e odiou tudo de uma única vez: ele tinha inveja de tudo o que os outros tinham que ele não tinha! Embora impenetrável, o sentimento de injustiça ainda era absoluto. De repente, um garotinho chutou uma bola perto dele e pediu para ele chutar de volta. Com ódio e com sua costumeira maldade, ele chutou a bola longe, perdendo-a. O garotinho começou a chorar e correu para a mãe.

Então algo estalou no homem enquanto ele ficava com remorso pelo que fizera.

Ele lembrou que já fora um garotinho gentil, atencioso, carinhoso e inocente, e que sua injustiça vinha de terem chutado seus sonhos para longe. Ele lembrou que acreditava no amor quando adolescente, em ser o príncipe encantado de alguém, em ser um profissional que faria a diferença para seu planeta e seu povo. Talvez quem chutou seus sonhos até tenha chutado por estar amargurado como ele, e não para injustiçá-lo, exatamente assim como ele acabara de fazer.

Ele percebeu que se tornara o pior dos seus monstros, que eram garotos bonzinhos tranformados como ele.

Moral: O ser humano tem uma tendência a copiar o pior e esquecer seu melhor, apenas para chorar ao perceber que o fez. Essa é uma história para todos nós lembrarmos de praticar o amor e a inocência, pois é o que realmente queremos.
enviada por NoMAD






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