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22/10/2004 15:01
[FÁBULA] Requiem
Fuga! Desesperado pela sua vida, você corre! Suas pernas e peito doem de tanto desespero: "meudeusdocéu... as presas!!! Um vampiro? Isso existe? MEU DEUS!!!"
Mais uma dose de adrenalina cobre seu corpo. Suas pernas chegam a ficar dormentes. Nada importa além de fugir e racionalizar que VAMPIROS NÃO EXISTEM! NÃO EXISTEM!!!
Você se esconde numa ruela, precisando respirar. Não ouve mais nada além dos próprios passos e sua própria respiração ofegante. Seja lá o que for, foi despistado.
Sua respiração começa a normalizar. Você se encosta na parede e fecha os olhos por um segundo para um descanso rápido. Abre olhando para o chão e vê os sapatos de alguém na sua frente... Rapidamente levanta o rosto em desespero, apenas para ver de novo as presas macabras te encarando de volta, sangue de seus amigos ainda escorrendo pelos cantos enquanto o monstro se revela em sua verdadeira natureza. Está em seus olhos, suas presas, suas mãos... todo seu corpo grita MONSTRO!
Seu coração dispara e sua adrenalina flui de tal maneira que você chega a ficar frio, congelado em estado de pânico. Você tenta fazer algo, mas sua mente não responde. Seus músculos esboçam reações mas sem saber o que nem pra onde.
A mão dele agarra seu queixo. Suas unhas mais afiadas que as de um ser humano arranha sua pele facilmente, causando pequenos cortes. Você tenta arrancar a mão com as suas, mas é tão forte que você apenas parece ter dado a mão para ele, como uma criança. Você percebe que ele te segura com uma certa gentileza, como se ele pudesse destroçar seu crânio se apertasse com sua força real. Seu instinto fala mais alto e você luta tentando chutes e socos.
Sem efeito.
Ele começa a falar algo. Parece uma poesia sobre a morte. Embora sua mente já esteja entrando em estado de choque ao ponto de que você nem mais percebe o quanto está gritando de medo, você instintivamente aproveita a chance e tenta agarrar algo próximo para acertá-lo. Antes de encontrar, ele abre a mandíbula expondo as terríveis presas e mergulha em seu pescoço.
Calma.
A brisa da noite está fria, mas aconchegante... Você relaxa seu corpo contra a parede... Um gostoso carinho passa por seu rosto: o toque de um amante... Seus olhos mal conseguem focar a realidade devido à intensidade do prazer que toma todo seu ser... até sua alma é tomada em êxtase!
E é justamente sua alma é que de repente é "tomada".
Todo o prazer se esvai. Toda a esperança é abandonada. Suas tripas se retorcem, seu pulmão estoura, seu coração entra em colapso pois não há mais sangue em seu ser. A dor é intensa, mas rápida... a morte é imediata. Sua última gota de consciência é um verso de uma poesia sobre a morte que o vampiro ainda está recitando.
Escuro absoluto...
Silêncio eterno...
Um gosto?
Um gosto estranho mas delicioso vem à sua boca, e imediatamente, algo te puxa do Além com uma força indescritível. Sua garganta queima de sede. Seu corpo arde em fome. Ódio! Ódio mortal! Ódio instintivo toma conta de seu corpo, querendo mais do líquido precioso. Você segue o cheiro e o gosto do líquido primordial e se dá de cara com um pulso aberto, de onde vem o líquido: sangue!
Naturalmente como se fosse uma coisa que tivesse feito a vida toda, você expõe suas presas e morde o pulso do vampiro, que deixa você beber como se te amamentasse. Você se acalma, e volta a pensar, concebendo que agora também é um vampiro. Este é portanto seu pai e mãe.
E ele finalmente acaba o poema de forma doce, maternal: "Pois essa é minha criança morta e renascida no sangue"
enviada por NoMAD
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